Insurgências estéticas e epistêmicas no Antropoceno: povos indígenas e a retomada da Mata Atlântica no sul da Bahia

Autores

  • Felipe Milanez Pereira Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0003-4773-6691
  • Jurema Machado de A. Souza Programa de Pós-graduação em Arqueologia e Patrimônio Cultural, Centro de Artes, Humanidades e Letras, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cachoeira, BA, Brasil https://orcid.org/0000-0003-2567-9550

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5937

Palavras-chave:

Antropoceno, Ecologia Política, Arte Indígena, Mata Atlântica, Tupinamba

Resumo

Este artigo apresenta uma perspectiva crítica do conceito do Antropoceno a partir da ecologia política, enfatizando as desigualdades na produção da situação catastrófica de emergência climática. A partir das epistemologias indígenas, discute-se a relação entre descolonização e saídas da crise. Tendo por base um projeto de pesquisa que uniu arte indígena e mapeamento de conflitos ambientais, tratamos do caso das retomadas indígenas no sul da Bahia, a reconstrução da Mata Atlântica a partir do trabalho de três artistas indígenas: Arissana Pataxó, Glicéria Tupinambá e Olinda Muniz Wanderley (Yawar Tupinambá)

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Publicado

23/05/2022

Como citar

Pereira, F. M., & Souza, J. M. de A. (2022). Insurgências estéticas e epistêmicas no Antropoceno: povos indígenas e a retomada da Mata Atlântica no sul da Bahia. Liinc Em Revista, 18(1), e5937. https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5937

Edição

Seção

Desafios das Ciências sociais no Antropoceno